Arquivo | Diário de Leitura RSS feed for this section
Imagem 7 jan

252132_578211225538026_757594550_n

Anúncios

Quadrilha

1 jan

DSCF3141

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Carlos Drummond de Andrade

Retrospectiva Literária 2013

30 dez

Um dia desses disse que iria programar uma retrospectiva aqui para o blog. Então disse que iria fazer em janeiro, porque o ano só acaba quando ele realmente acaba, mas no quesito literatura, meu ano já terminou, li o ultimo livro sexta-feira e vamos fazer logo essa retrospectiva para não deixar pra depois.

Sempre fui uma pessoa que leu muito, mas esse ano extrapolei, tanto que para o ano que vem a minha meta é ter um pouco mais de controle. Minha meta de leitura era poucos livros, o fato de que eu estava fazendo tcc e na correria com a faculdade, pensei que só iria conseguir ler depois que formasse, então planejei que iria ler 12 livros e acabei lendo 60. Vamos aos títulos:

Livros lidos:

  1. Filhos do Éden – Eduardo Spohr
  2. Não conte a ninguém – Harlan Coben
  3. O Hobbit – J.K.Tolkien
  4. Cilada – Harlan Coben
  5. Precisamos falar sobre o Kevin – Lionel Shrive
  6. Questões do Coração – Emily Giffin
  7. O vendedor de armas – Hugh Laurie
  8. Jogos vorazes – Suzanne Collins
  9. Em chamas – Suzanne Colllins
  10.  Esperança – Suzanne Collins
  11.  Dom Casmurro – Machado de Assis
  12.  Concerto de corpo e alma – Rubem Alves
  13.  369 – Fernando Freire
  14.  O ensaio sobre a cegueira – José Saramago
  15.  Para sempre – Kim e Krickitt Carpenter
  16.  Travessuras da menina má – Mario Vargas Llosa
  17.  Amor liquido – Zygmunt Bauman
  18.  O cavaleiro inexistente – Italo Calvino
  19.  Um amor para recordar – Nicholas Sparks
  20.  Um copo de cólera – Raduan Nassar
  21.  Cem anos de solidão – Gabriel García Márquez
  22.  O estrangeiro – Albert Camus
  23.  O conto da ilha desconhecida – José Saramago
  24.  Histórias de cronópios e de fama – Júlio Cortázar
  25.  Bonequinha de luxo – Truman Capote
  26.  Poesia de Florbela 1
  27.  Poesia de Florbela 2
  28.  As crônicas de Nárnia – C.S. Lewins
  29.  O último voo do flamingo – Mia Couto
  30.  A história final – Álvaro Cardoso Gomes
  31.  1984 – George Orwell
  32.  Cristianismo Puro e Simples – C.S. Lewins
  33.  Feliz dia dos namorados – Charles M. Schulz
  34.  Cecília Meireles – Maria Fernanda
  35.  O guia do mochileiro das galáxias – Douglas Adams
  36.  O restaurante no fim do universo – Douglas Adams
  37.  A vida, o universo e tudo mais – Douglas Adams
  38.  Felicidade Clandestina – Clarice Lispector
  39.  Até mais, e obrigada pelos peixes! – Douglas Adams
  40.  Praticamente inofensiva – Douglas Adams
  41.  Lavoura Arcaica – Raduan Nassar
  42.  Se um viajante numa noite de inverno – Italo Calvino
  43.  O poeta – Michael Connelly
  44.  Coisas da vida – Martha Medeiros
  45.  As vantagens de ser invisível – Stephen Chbosky
  46.  A sociedade do anel – J.K. Tolkien
  47.  Memória de minhas putas triste – Gabriel García Márquez
  48.  A culpa é das estrelas – John Green
  49.  As duas torres – J.K. Tolkien
  50.  A vida de Pi – Yann Martel
  51.  Bem mais perto – Susane Colasanti
  52.  Charlotte Street – Danny Wallasce
  53.  Deixados para trás – Tim Lahaye e Jerry B. Jenkins
  54.  O retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde
  55.  Comando Tribulação – Tim Lahaye e Jerry B. Jenkins
  56.  Nicolae – Tim Lahaye e Jerry B. Jenkins
  57.  A colheita – Tim Lahaye e Jerry B. Jenkins
  58.  Apoliom – Tim Lahaye e Jerry B. Jenkins
  59.  Assassinos – Tim Lahaye e Jerry B. Jenkins
  60.  A metamorfose – Franz Kafka

O melhor casal literário: Eu poderia dizer que o Ricardinho e a Lily de Travessuras da menina má, uma por ter adorado o livro e o romance deles cheios de altos e baixos. Porém quero escolher Kim e Krickitt Carpenter de Para Sempre por se tratar de um casal real e que passou por uma batalha muito grande para salvar o casamento deles.

Virei a noite lendo: Se um viajante numa noite de inverno. Este certamente foi um livro que me fez perder noites de sono de tanta curiosidade, e teve um dia que eu estava decidida a virar a noite lendo para terminar logo e saber como iria se dar o desenrolar da história.

Soco no estômago: Este ano li uma triologia distópica que se encaixa perfeitamente aqui. Jogos Vorazes é um livro que nos trás muitos questionamentos sobre a sociedade, mas também vou escolher 1984. Não é possível você ler um livro de George Orwell e permanecer indiferente quanto a vida e tudo mais. Enquanto li esse livro vivi momentos de muita tensão e raiva, ódio de uma sociedade tão manipulável e alienada, e daí parei para pensar: pera aí, esses somos nós.

Aquele em que chorei de soluçar: Nossa… Um amor para recordar, apesar de já ter lido, Cem Anos de Solidão, As crônicas de Nárnia.

A maior decepção do ano: O vendedor de Armas. Achei esse livro muito chato, cansativo e não via a hora de terminar logo. Claro, tem umas partes legais, mas eu esperava muito mais dele.

Não levava fé, mas me surpreendi: O guia do mochileiro das galáxias. Ok! Ele é super aclamado, mas também já ouvi opiniões não muito legais dele. Adorei!!!! Tem um humor muito gostoso, cheio de ironias e super inteligente. Não é um livro para qualquer um.

O mais chato: Questões do coração. Gostei do primeiro livro que li da autora, e até gostei desse livro, mas passei muita raiva também.

Quase morri de rir: O restaurante no fim do universo. Poderia dizer que todos os livros da série me tiraram boas risadas, mas esse segundo para mim foi um marco, apesar que o quinto tem um final muitoooo legal.

Aventura, fantasia ou infato-juvenil: As vantagens de ser invisível. A gente espera tudo, menos o que o livro realmente é. Nunca vi tanta sensibilidade em um livro infanto-juvenil. Em diversos momentos desejei pegar o personagem principal e carregar no colo. O livro é composto de muita musica, literatura e drama. E o filme foi uma excelente adaptação também. Recomendo tanto a leitura do livro quanto o filme.

O mais esperado: Não esperei nenhum lançamento esse ano, eu sou daquelas que simplesmente pega um livro qualquer e começa a ler. Posso dizer que esperei muito tempo para ler Travessuras da menina má, foi uma leitura que sempre quis fazer mais por motivos idiotas acabava adiando e esse ano dei uma chance a ele e foi maravilhoso.  

Bate-bola personagens:

  • Personagem masculino apaixonante: Peeta – Jogos Vorazes
  • Personagem feminina admirável: Ursula – Cem anos de solidão
  • Personagem mais chato: Senhor Samsa – A metamorfose
  • Personagem mais perturbador – Kevin – Precisamos falar sobre o Kevin
  • Personagem que mais me identifiquei: A personagem principal do conto Felicidade Clandestina
  • O melhor livro que li esse ano: Dificil responder, li tantos livros bons, tantos, acho melhor nem arriscar a citar um nome.

Próximo post devo fazer um top 10 dos livros 😉

 

Felicidade Clandestina

28 set
Clarice Lispector
Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme; enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar… Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.
(Rafa, mto obrigada por me presentear com esse livro maravilhoso e delicioso)

Das coisas que aprendemos com a convivência

26 set

Quando rompemos algum tipo de relacionamento com uma pessoa custamos a lembrar das coisas boas que elas nos passaram e de inicio nem pensamos que elas nos deixou algo bom, mas depois com o passar do tempo percebemos que um pouquinho da personalidade dela ficou conosco e um pouquinho da nossa se foi com ela. O legal dos relacionamentos são as trocas que eles nos proporcionam, principalmente quando essas trocas são coisas legais.

Tenho muito a agradecer a uma pessoa, cujo nome não tenho a liberdade de citar, mas que durante o nosso relacionamento ele me ensinou a admirar a poesia, não que eu não gostasse, mas não tinha o hábito de pegar livros de poesia para ler e neste ano, quando nos relacionávamos ele me ensinou o quanto a poesia pode dizer por nós. Este ano comprei 3 livros de poesia e quero compartilhar com vocês uma dessas poesias que encontrei em um dos livros. Deixo então com vocês um pouquinho de Cecília Meireles.

De longe te hei de amar

De longe te hei de amar,
– da tranqüila distância
em que o amor é saudade
e o desejo, constância.

Do divino lugar
onde o bem da existência
é ser eternidade
é parecer ausência.

Quem precisa explicar
o momento e a fragrância
da Rosa, que persuade
sem nenhuma arrogância ?

E, no fundo do mar,
a estrela, sem violência,
cumpre a sua verdade,
alheia à transparência.

Cecília Meireles

Diário de Leitura #4

22 ago

“Você tem que pedir ajuda de Deus. Mesmo depois de pedir, poderá ter a impressão de que ajuda não vem, ou vem em dose menor que a necessária. Não se preocupe. Depois de cada fracasso, levante-se e tente de novo. Muitas vezes, a primeira ajuda de Deus não é a própria virtude, mas a força para tentar de novo.”

C.S Lewis – Cristianimos Puro e Simples

Diário de Leitura #3

13 ago

“Tenho a convicção de que Deus não deixa ninguém à espera a não ser que a julgue benéfica.”

Cristianismo Puro e Simples

C.S. Lewis