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19 jan
Quando estava na quarta série meu professor de português nos fez ler Carlos Drummond de Andrade, era uma tentativa de nos introduzir a poesia adulta, não mais aquela do Ou isso ou aquilo de Cecília Meirelles (é bom lembrar que Cecília também escreveu poesias adultas, como poderia me esquecer do Romanceiro da Inconfidência que é lindíssimo?). Foram várias aulas, ele não tentava nos explicar o significado daquilo, e acho que foi isso que deixou as aulas mais interessantes. Em uma aula ele entregou uma folha cheia de pequenas poesias de Drummond e nos fez ler, depois promoveu um mini concurso (uma espécie de recital) para nos fazer decorar as poesias.
Posso dizer que na época em que este fato ocorreu, gostei, mas não consegui apreciar com toda a qualidade a grandiosidade de Drummond, ainda assim, ficou na minha memória alguns fragmentos da poesia Infância. Depois já amadurecida, procurei ela na internet, com aquilo que ainda me restava na memória consegui encontrá-la, como é que era??? “Minha mãe ficava sentada cozendo” e tinha mais, claro! O verso mais bonito “E eu não sabia que a minha história era mais bonita que a de Robson Crusoé”.
Existem ainda aqueles que são menos pops, mas como não admirar uma pessoa que consegue expressar na simplicidade que a história dele é mais bonita que qualquer outra considerada grandiosa?
Nos últimos quinze dias estive lendo a antologia poética de Drummond, organizada por ele mesmo. Minha leitura foi um pouco afetada, pois tiveram dias que eu não estava muito com paciência para poesia, mas o ultimo (terça-feira) foi um acalanto total. Segunda-feira tive o principio de uma crise nervosa, estava no trabalho e lá não tenho muito serviço, com isso acabo levando vários livros para ler, mas até para quem gosta, apenas ler cansa, e foi o que me ocorreu, eu não tinha opções. Minha amiga Adriana me sugeriu para que eu levasse o notebook para o serviço e assim poderia ver filmes e foi o que fiz, tanto que este post está sendo escrito enquanto eu trabalho (risos). A ideia foi muito bem recebida, assisti O Fantasma da Opera (devo comentar no próximo post) e no horário de almoço fui terminar o livro do Drummond.
 IMG_20130115_130051
Crianças, se vocês ainda não dedicaram um tempinho a esse autor, não perca mais tempo, vou deixar aqui uma poesia que se encontra na antologia e vá logo para a biblioteca atrás do livro dele =).
Lira Romantiquinha
Por que me trancas
o rosto e o riso
e assim me arrancas
do paraíso?

Por que não queres,
deixando o alarme
(ai, Deus: mulheres!),
acarinhar-me?

Por que cultivas
as sem perfume
e agressivas
flores do ciúme?

Acaso ignoras
que te amo tanto,
todas as horas,
já nem sei quanto?

Visto que em suma
é todo teu,
de mais nenhuma,
o peito meu?

Anjo sem fé
nas minhas juras,
porque é que é
que me angusturas?

Minh’alma chove
frio, tristinho.
Não te comove
este versinho?

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