Arquivo | abril, 2012

Quero

28 abr

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Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.

No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

Carlos Drummond de Andrade

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O verdadeiro amor

19 abr

“Desta forma, o amor é aperfeiçoado em nós, para que no Dia do Juízo, tenhamos confiança; pois neste mundo também somos conforme Ele é. No amor não há medo; antes, o perfeito amor expulsa o medo. O medo implica castigo; logo, aquele que tem medo não é aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque Deus amou primeiro.” 1 João 4: 17 – 19

Nas nossas vidas freqüentemente temos que nos dar com diversos desafios, e por ter vivenciado algumas frustrações nos encontramos com medo de experimentar o novo, eu também já tive muitos momentos difíceis que me fizeram ficar sempre com os pés nos chão. Durante anos deixei de sonhar coisas impossíveis, querendo apenas aquilo que estava ao meu alcance, poderia até dizer que deixei de sonhar para apenas planejar, pois sonhar é algo que vai além de fazer pequenos planos, sonhos são aquelas coisas que estão quase tocando o impossível. Mas a minha proposta de vida hoje é diferente, após um leve toque que recebi no meu coração lembrei-me desta palavra que diz que Deus é amor, e Ele é capaz de lançar fora dos nossos corações todo medo, me deparei com esse amor cheio de perfeição e que quer me levar a lugares altos, mas para isso é necessário que eu deixe de planejar para viver os sonhos que Ele tem pra mim e a minha fé que será o combustível do carro que me levará a estes lugares.

Hoje meu convite é que você assim como eu, se permita experimentar esse amor perfeito e deixar que Ele lance para fora todo o medo.

Acasos

17 abr

Ele acordou, levantou-se da cama como em um dia normal, sempre tem sido assim, desde que se entende por gente. Hoje foi a mesma coisa, tirando a parte do susto. Pois, ele acordou empapado de suor, o corpo frio, o coração acelerado. Foi apenas um pesadelo, logo ele percebeu. Então, calçou os chinelos, foi ao banheiro, ligou o chuveiro, banhou-se, escovou os dentes – é meio estranho, mas ele aprendeu quando ainda pequeno com o pai a escovar os dentes antes do desjejum –, voltou ao quarto, vestiu-se, apanhou suas coisas e após uma xícara de café amargo, saiu para o trabalho.

Não que fosse um dia átipico, como eu já disse para ele tudo soava normal, porém, havia ela,  que apareceu de chofre e distoava de tudo até então. Alguma coisa no olhar dela, ou no jeito de caminhar, ele não soube interpretar, algo era diferente e ele não conseguia lhe desviar os olhos. Olhava adimirado sem entender o que. Eis que após alguns minutos, um ônibus aparece distante, ela dá sinal, o ônibus pára, ela entra, atrás dela uma fila com algumas pessoas começam a subir, ela já está sentada e da janela, ele percebe que ela olha em sua direção. Na cabeça dele passam mil pensamentos e possibilidades em uma fração de segundos, ele decide então entrar, sentar ao lado dela, se apresentar. Sabe, às vezes coisas acontecem por acaso, e por isso não se deve desprezar as oportunidades, ela pode vir a ser a mulher da vida dele, a pessoa com quem ele se casará e terá alguns filhos. Ele roda a roleta, sente um frio na barriga, começa a pensar em qual será a forma ideal para sua abordagem, já que hoje em dia, as pessoas sentem medo, da aproximação, pensam logo em bandidos, tarados, essas coisas. No entanto ele segue em frente, senta-se ao lado dela, e quando se prepara para dizer bom dia talvez, ela abre a bolsa, retira um livro de dentro e começa a ler. Agora ele está de pé, o ônibus andou apenas alguns metros, ele solicita a parada e desce…

 Rafael Antônio

Sobre simplicidade e sabedoria

15 abr

“Sabedoria é a arte de provar e degustar a alegria quando ela vem.

Mas só domina essa arte aqueles que têm a graça da simplicidade.

Por que a alegria só mora nas coisas simples.”

Rubem Alves – Sobre simplicidade e sabedoria

Banguelês Felina

12 abr
Nunca entendi por quê dizem que se soprarmos um
dente de leão, ele se dissolve e sai voando os pedacinhos.
Não acredito nisso!
Se fosse assim, todo leão quando espirrasse ficaria banguela.
Autor: Arthur Fernandes

Autor da Vez

11 abr

Suzanne Collins é escritora e roteirista de programas infantis, formada em escrita dramática pela New York University. Fez vários roteiros para a Nickelodeon. Entre 2003 e 2007, Collins escreveu os cinco livros da série de fantasia “The Underland Chronicles”.

Em 2008, lançou “The Hunger Games”, primeiro livro da trilogia homônima. A inspiração veio quando ela assistia TV: mudando de canal, viu um reality show que passava ao mesmo tempo em que outro canal transmitia cenas da Guerra do Iraque.

Suzanne Collins inseriu essa junção num contexto de mitologia grega e em suas noções de efeitos de guerra. “The Hunger Games” está na lista de best-sellers do The New York Times há mais de sessenta semanas e sua segunda adaptação cinematográfica está em fase de pré-produção.

A Valsa

1 abr

A valsa

Casimiro de Abreu

Tu, ontem,
Na dança
Que cansa,
Voavas
Co’as faces
Em rosas
Formosas
De vivo,
Lascivo
Carmim;
Na valsa
Tão falsa,
Corrias,
Fugias,
Ardente,
Contente,
Tranqüila,
Serena,
Sem pena
De mim!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!…
— Não negues,
Não mintas…
— Eu vi!…

Valsavas:
— Teus belos
Cabelos,
Já soltos,
Revoltos,
Saltavam,
Voavam,
Brincavam
No colo
Que é meu;
E os olhos
Escuros
Tão puros,
Os olhos
Perjuros
Volvias,
Tremias,
Sorrias,
P’ra outro
Não eu!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!…
— Não negues,
Não mintas…
— Eu vi!…

Meu Deus!
Eras bela
Donzela,
Valsando,
Sorrindo,
Fugindo,
Qual silfo
Risonho
Que em sonho
Nos vem!
Mas esse
Sorriso
Tão liso
Que tinhas
Nos lábios
De rosa,
Formosa,
Tu davas,
Mandavas
A quem ?!

Quem dera
Que sintas
As dores
De arnores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!…
— Não negues,
Não mintas,..
— Eu vi!…

Calado,
Sózinho,
Mesquinho,
Em zelos
Ardendo,
Eu vi-te
Correndo
Tão falsa
Na valsa
Veloz!
Eu triste
Vi tudo!

Mas mudo
Não tive
Nas galas
Das salas,
Nem falas,
Nem cantos,
Nem prantos,
Nem voz!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!

Quem dera
Que sintas!…
— Não negues
Não mintas…
— Eu vi!

Na valsa
Cansaste;
Ficaste
Prostrada,
Turbada!
Pensavas,
Cismavas,
E estavas
Tão pálida
Então;
Qual pálida
Rosa
Mimosa
No vale
Do vento
Cruento
Batida,
Caída
Sem vida.
No chão!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!…
— Não negues,
Não mintas…
Eu vi!