Precisamos falar sobre o Kevin

13 mar

Sinopse – Precisamos falar sobre o Kevin

A partir de um crime brutal, este best-seller mundial discute maternidade e casamento, família e carreira.

Eva Katchadourian na verdade nunca quis ser mãe – muito menos a mãe de um garoto que matou sete de seus colegas de escola, uma professora queridíssima, e um servente de uma escola dos subúrbios classe A de Nova York. Para falar de Kevin, 16 anos, autor desta chacina, preso em uma casa de correção de menores, a escritora Lionel Shriver arquitetou um thriller psicanalítico onde não se indaga quem matou. A trama se desenvolve por meio de cartas nas quais a mãe do assassino escreve ao pai ausente. Nelas, procura analisar os motivos da tragédia que destruiu sua vida e a de sua família.

Dois anos depois do crime, ela visita o filho regularmente. Aterrorizada por suas lembranças, Eva faz um balanço de sua trajetória onde analisa casamento, carreira, família, maternidade e o papel do pai. Assim, constrói uma meditação sobre a maldade e discute um tabu: a ambivalência de certas mulheres diante da maternidade e sua influencia e responsabilidade na criação de um pequeno monstro.

Ao relembrar o passado, reexamina desde o seu medo de ter um filho ao parto do bebê indócil que assustava as baby-sitters. Mostra o garoto maquiavélico que dividia para conquistar. Exibe o adolescente que deixava provas de péssima índole. “Precisamos falar sobre o Kevin” cria polêmicas ao analisar as sociedades contemporâneas que produzem assassinos mirins em série ou pitboys. Estimula discussões sobre culpa e empatia, retribuição e perdão nas relações familiares, e nos leva a debater uma questão tenebrosa: poderíamos odiar nossos filhos?

  • Editora: Intrínseca
  • Autor: LIONEL SHRIVER
  • Origem: Nacional
  • Ano: 2012
  • Edição: 1
  • Número de páginas: 464
  • Acabamento: Brochura
  • Formato: Médio

Minha leitura:

“8 de novembro de 2000

Querido Franklin,

Não sei ao certo por que o incidente banal desta tarde acabou provocando em mim a vontade de lhe escrever. O fato é que, desde que nos separamos, o que mais me faz falta, acho, é chegar em casa e ter a quem contar as curiosidades narrativas do meu dia, do jeito como um gato às vezes larga um camundongo aos pés do dono, as pequenas, modestas oferendas com que os casais se brindam, depois de revolver quintais diferentes.”

O desejo de ler este livro surgiu em dezembro de 2012, quando Martha Medeiros escreveu sobre ele em sua coluna no Jornal Zero Hora, porém resolvi adiar a leitura, e após o lançamento do filme, decidi que essa leitura deveria ser feita logo, para eu poder assistir ao filme.

Primeiro acho interessante dizer que estou vivendo um momento de sorte na literatura, pois os últimos livros que li me agradaram muito e não foi diferente com Precisamos falar sobre o Kevin, a narrativa me cativou logo no inicio. Como na sinopse já disse o livro é composto por cartas, onde Eva relata ao seu marido as suas percepções sobre o seu casamento, a gravidez e a criação de Kevin. O livro é todo narrado em primeira pessoa, e para muitos isso pode ser um pouco estranho, mas eu gostei deste estilo.

Sempre que vemos algum crime hediondo, questionamos como as pessoas têm capacidade de cometê-lo, ou os motivos que o levaram ao ato, porém nunca paramos para pensar nos sentimentos da mãe do criminoso com relação a tudo aquilo e a proposta de Shriver foi nos relatar isso, todos os sentimentos de Eva com relação ao Kevin, o que ela sentia quando o marido defendia o filho acreditando na sua bondade exagerada, e o mais incrível é que Eva não defende seu filho, ela não culpa a sociedade pela maldade de Kevin, ela o responsabiliza pelos seus atos.

O livro despertou em mim diversos sentimentos, ódio, revolta, tristeza e até mesmo pena, pois no final a única coisa que consegui sentir por Kevin foi pena, por acreditar que ele era um rapaz vazio e tentou se preencher através dos seus atos. Também senti por Eva que levaria por toda a vida a marca de um crime que não foi cometido por ela, mas por seu filho que carregava o seu sobrenome.

Este livro mexeu muito comigo, estava o tempo todo desejando ler mais um pouco, todos os dias lia antes de dormir, e fiquei tão impressionada que tive vários pesadelos com Kevin, e por isso quando faltavam apenas 125 páginas para terminá-lo, pensei em abandonar a leitura, porém eu já havia me envolvido demais naquela história.

“Você nunca quis me ter, não é mesmo?”

“Eu achava que sim”, falei.” E seu pai, ele queria você… desesperadamente.”

“Você achava que sim”, disse ele. “Depois mudou de idéia”.

“Eu achava que precisava de uma mudança. Mas ninguém precisava de uma mudança para pior.” (…)

“Alguma vez já lhe ocorreu pensar’, disse ele, de um jeito capcioso, “que talvez eu não quisesse ter você?”(página 74)

“Virei uma taça de sauvignon Blanc, estava com gosto de vinagre de picles. Esse era o gosto do vinho sem você por perto. A moussaka não passava de uma casca seca e morta. Assim era o aspecto da comida sem você. Nosso loft, com seu rico espólio de cestos e estatuetas de todas as partes do mundo, assumiu o aspecto vulgar e abarrotado de uma lojinha de importados. Isso era a nossa casa sem você.” Precisamos falar sobre o Kevin – página 63

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