Arquivo | fevereiro, 2012

Faculdade

13 fev

Durante este fim de semana e ainda hoje, vivi momentos de muita saudade (vou optar por essa palavra por não gostar muito de dizer nostalgia, me soa muito mais como remédio a um sentimento), tive que escrever meu convite de formatura e também li na Folha uma matéria falando sobre o primeiro dia de aula dos calouros na faculdade. Comecei a me recordar da ansiedade que vive para a chegada do meu primeiro dia de aula.

Quando recebi a noticia que havia passado no vestibular logo procurei a comunidade do meu curso no Orkut, queria encontrar todos que iriam estudar comigo durante esses quatro anos. No dia de realizar a matrícula, quanta empolgação! E após me matricular, me dei de cara com o medo, afinal são quatro anos, tempo demais, eu me perguntava se iria conseguir chegar ao final, não imaginava que este tempo passa voando.

Então, após me inscrever no curso entrei em contato com algumas pessoas, uma delas o Everton, e eu dizia a ele o quanto queria que iniciasse as aulas logo, e imagine, eu estava torcendo até mesmo por ser pega em trote, desde que não fossem aqueles pesados. E ele dizia “Thatá, faculdade é como colégio, você fica doida para iniciar as aulas e quando iniciarem vai ficar louca pelas férias.” E ele tinha razão…

Enfim, o primeiro dia chegou, eu fui com um caderno da Pucca e esperando que ali encontrasse aulas que fossem desenvolver a minha escrita, que iria pegar em um gravador e apenas fazer entrevistas e escrever matérias. Achava que nunca iria matar aulas, que ficaria horas a ler e escrever. Não sabia eu que a universidade é universo maior que uma simples receita de bolo, que ali não era um espaço para aprender técnica. Eu não sabia que ali seria um espaço voltado para a discussão e que aprenderia a fazer vários questionamentos sobre a minha vida e sobre a sociedade, principalmente no primeiro período que tive aula sobre Ciências Sociais. Fiz diversos amigos e presenciei muitas discussões.

Na semana passada dei inicio ao fim do curso, engraçado isso né? Cheguei ao ultimo período e meu medo só aumenta com o passar dos dias e principalmente a saudade daqueles que encontrei neste tempo. Vocês podem me dizer que o contato com aqueles que realmente são nossos amigos não acaba, mas o contato diário esse vai passar, os momentos que nos reunimos nos bancos da faculdade antes das aulas não vão mais existir.

Hoje compreendo que sou alguém totalmente diferente do tempo que iniciei meu curso, me sinto mais velha, porém não mais sábia, pelo o contrário, me encontro com duvidas muito maiores que as que eu tinha quando entrei lá. E a mensagem que deixo para aqueles que estão entrando agora na faculdade é: aproveitarem cada segundo junto às pessoas que encontrar, não espere por seus professores, leiam livros, converse com os amigos e principalmente descubram que às vezes as aulas que você irá matar para conversar com eles podem ensinar muito mais que os bancos da sala de aula.

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Doer, dói sempre

3 fev

“Bem como dizia o comandante, doer, dói sempre. Só não dói depois de morto, porque a vida toda é um doer.

O ruim é quando fica dormente. E também não tem dor que não se acalme – e as mais das vezes se apaga. Aquilo que te mata hoje amanhã estará esquecido, e eu não sei se isso está certo ou errado, porque o certo era lembrar. Então o bom, o feliz se apagar como o ruim, me parece injusto, porque o bom sempre acontece menos e o mau dez vezes mais. O verdadeiro seria que desbotasse o mau e o bom ficasse nas suas cores vivas, chamando alegria.

Pensei que ia contar com raiva no reviver das coisas, mas errei. Dor se gasta. E raiva também, e até ódio. Aliás também se gasta a alegria, eu já não disse?

Embora a gente se renove como todo mundo, tudo no mundo que não se repete jamais – pode parecer que é o mesmo mas são tudo outros, as folhas das plantas, os passarinhos, os peixes, as moscas.

Nada volta mais, nem sequer as ondas do mar voltam; a água é outra em cada onda, a água da maré alta se embebe na areia onde se filtra, e a outra onda que vem é água nova, caída das nuvens da chuva. E as folhas do ano passado amarelaram, se esfarinharam, viraram terra, e estas folhas de hoje também são novas, feitas de uma seiva nova, chupada do chão molhado por chuvas novas. E os passarinhos são outros também, filhos e netos daqueles que faziam ninho e cantavam no ano passado, e assim também os peixes, e os ratos da dispensa, e os pintos… tudo. Sem falar nas moscas, grilos e mosquitos. Tudo.”

Dôra, Doralina –  Rachel de Queiroz – 1975